Como escolher o repertório da cerimônia de casamento?

A escolha das músicas do casamento deve refletir a história e as emoções do casal, criando lembranças…

Durante mais de 25 anos tocando em casamentos, aprendi que as músicas mais bonitas nem sempre são as que mais emocionam. As que realmente ficam para sempre são aquelas que contam uma história.

Existe uma pergunta que praticamente todo casal me faz:

“Como escolher o repertório da cerimônia?”

E, sinceramente?

Hoje eu acredito que essa talvez nem seja a primeira pergunta.

A primeira deveria ser outra.

“Quais músicas contam a nossa história?”

Lembro de uma noiva que chegou até mim com um dilema.

Desde criança, ela sonhava em entrar ao som da Marcha Nupcial. Era a tradição. Era como ela sempre imaginou aquele momento.

Mas havia outra música que mexia profundamente com ela.

Ave Maria.

Não era apenas pela beleza da melodia.

Pouco tempo antes do casamento, ela havia perdido a avó. Sempre que essa música tocava, era impossível não lembrar dela. Além disso, existia um significado religioso muito forte que fazia parte da história da sua família.

Ela olhava para mim quase pedindo desculpas.

“Eu queria as duas…”

E foi justamente aí que percebi que o problema não era escolher uma música.

Era achar que ela precisava abrir mão de uma delas.

Depois de conversarmos bastante, pensei:

“E se a gente não escolhesse?”

Criamos um arranjo exclusivo para aquele casamento.

Os primeiros acordes eram da tradicional Marcha Nupcial. O suficiente para criar aquela expectativa que todos reconhecem.

Mas, exatamente no momento em que as portas da igreja se abriram, a música fazia uma transição delicada para Ave Maria.

Foi impossível não se emocionar.

A cerimônia ganhou algo que nunca teria existido se tivéssemos simplesmente escolhido uma música ou outra.

Ela ganhou uma história.

Dias depois do casamento, recebi uma mensagem daquela noiva.

Ela não comentou sobre a execução do violino. Não falou da qualidade do som. Nem do arranjo.

Ela agradeceu por eu ter escutado.

Disse que nunca teria imaginado que seria possível manter a tradição da Marcha Nupcial e, ao mesmo tempo, homenagear a avó em um dos momentos mais importantes da sua vida.

Aquela mensagem ficou comigo.

Porque reforçou algo em que acredito cada vez mais.

Meu trabalho nunca foi apenas tocar violino.

Meu trabalho é descobrir quais lembranças merecem ganhar uma trilha sonora.

Quando penso no repertório de uma cerimônia, não estou montando uma sequência de músicas.

Estou imaginando o filme que aquele casal vai revisitar pelo resto da vida.

Assim como existem filmes que nunca esquecemos porque uma trilha sonora marcou determinada cena, acredito que um casamento também pode ser lembrado da mesma forma.

Anos depois, talvez eles não se recordem de cada detalhe da decoração. Talvez nem do sabor do jantar. Mas basta ouvir aqueles primeiros acordes… e, por alguns instantes, estarão novamente diante do altar.

É por isso que, antes de escolher qualquer música, sempre faço a mesma pergunta aos meus noivos:

“Que lembrança vocês querem sentir quando ouvirem essa música daqui a vinte anos?”

Porque, no fim das contas, um bom repertório não é aquele que impressiona os convidados.

É aquele que faz duas pessoas voltarem ao dia mais importante de suas vidas sempre que a música começar a tocar.

E não para por aqui!

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